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Posts Tagged ‘criança.’

Culpe a chuva – Alexandra 5

23 de fevereiro de 2011 Deixe um comentário

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- Bom dia Charlie.

- Bom dia mãe.
Ela sorriu, queria gritar de emoção, mas disfarçou. Era a primeira vez que ele a chamava de mãe.
– Linda dama de arrancar meu fôlego, mais uma historia por favor.
– Definitivamente leitura faz um bem danado pra você. Pois bem, essa é continuação da ultima.
– Legal.
– Ele colocou a capa e saiu no que restava do chuvisco que já fora uma tempestade. Meus olhos o seguiram e meu coração bateu forte demais tomando conta da minha mente, não pude controlar-me, corri até ele e o abracei o mais forte que pude, ele virou-se pra mim sorrindo, beijando-me os lábios com delicadeza, ele cobriu-me com a capa e disse “quando a mente cansar de me esperar, seu corpo desejar calor, e seus olhos não conseguirem mais me enxergar ao se fechar, mas seu coração ainda se acelerar ao se lembrar de mim, coloca a capa aqui presa a essa arvore, eu enxergarei em meus sonhos e voltarei mais rápido pra casa”
– É a minha capa protetora?
– Sim, eu coloquei na arvore no primeiro dia do ano assim que você dormiu. Preciso ir trabalhar, tia Sophia já chegou, esta tomando banho aqui hoje, comporte-se.
– Ta certo mãe, bom trabalho.

A Ultima chuva


– Charlie? Cheguei.
– Alexandra.
– Rodrigo?
Os dois se olharam durante alguns segundos, ela não conseguia acreditar no que seus olhos lhe mostravam.
– Mãe, Rodri… Papai chegou um pouco depois de você sair pra trabalhar, ele estava me ensinando a tocar violão, e me prometeu andar de skate amanhã.
– Ótimo querido, quer ouvir mais uma historia?
– Quero. Rodrigo você tem que ouvir as historias da mamãe.
– Não chovia, e nem ameaçava chover, o céu estava limpo, o sol sorria pra mim, o dia perfeito. Finalmente almocei com o rapaz da papelaria, nos beijamos, e agora descobri que o amor da minha vida, depois de 4 anos voltou.
– O amor da sua vida não lhe foi fiel todos esses anos, mas ele gostaria saber se mesmo assim você gostaria de ficar com ele.
O garotinho olhava confuso para seus pais. Alexandra agarrou Rodrigo pelo pescoço, e finalmente deu o beijo mais esperado de sua vida.
– Agora eu culpo o sol.

Culpe a chuva – Alexandra 4

23 de fevereiro de 2011 1 comentário

Alexandra 1 Alexandra 2 Alexandra 3 Alexandra 4

– SOCORRO.
– Am? Que? CHARLIE!
Ela correu para o quarto ao lado e abraçou seu garotinho que chorava aflito na cama.
– Pesadelo?
– Sim, ele era cruel e queria me levar.
– Ninguém nunca vai te levar enquanto eu viver ta bem?
– Eu quero minha capa.
– Ela ainda não voltou, enquanto ela estiver fora vou ser sua capa.
– Então me conta uma historia.
– Ta bem. Era mais uma noite de chuva, mais uma despedida, mais um pedaço do meu coração, lembro que meus olhos se encheram de lágrimas e ele não conseguia se explicar, ele insistia em dizer que era por honra e amor, que meu pai sempre o lembraria disso, e que a culpa o consumiria até ele sucumbir. Não foi fácil pra qualquer um, algumas horas atras estavamos todos sentados em volta da mesa, você dormia tranquilo no quarto e seu avô resolveu estragar o momento, ele ultrapassou todos os limites, disse para Rodrigo que ele só seria um bom pai quando achasse o próprio pai, seu pai jurou que só voltaria com o seu avô paterno, Antonio. Eu implorei pra que ele ficasse, mas a idéia havia fixado em sua mente como um parasita com armas pronto pra atacar qualquer um que resolva tirar sua fonte de vida.Mas ele me prometeu voltar e completar meu coração outra vez, e eu prometi ser fiel.

Alexandra 5

Culpe a chuva – Alexandra 3

15 de fevereiro de 2011 1 comentário

Alexandra 1 Alexandra 2

– Hoje tia Sophia me contou a historia da briga de vocês, a versão dela é mais legal, Alexandra.
– Ah é? Porque?
– Ela contou a historia toda, não gostei do Silas
– Eu não gosto dele.
– Hora do café da tarde, e de mais uma historia.
– Certo, deixe-me começar. Era o cenário perfeito pra um filme de terror, estava tendo uma tempestade horrível lá fora de assustar até o homem mais corajoso do mundo, e eu estava com febre, soando frio, delirando, doente demais pra me importar com alguns trovões, foi nesse dia que tive meu sonho mais intenso e forte. Eu vi meu pai brigando comigo por chegar tarde em casa e minha mãe gritando, repetindo várias vezes a mesma frase “cuidado com o trem” ao olhar pro meu lado percebi que eu estava amarrada, presa a trilhos onde um trem logo passaria, seguindo o caminho do trilho com os meus olhos percebi que em poucos minutos um trem passaria por cima de mim e me mataria, no meio de tudo isso tinha um garotinho chorando e me olhando, ele disse que não poderia me ajudar, que aquilo era preciso, eu só comecei a me desesperar quando o trem passou por cima de mim, causando uma dor indescritível, o estranho é que eu continuava inteira sem um arranhão, quando olhei para o lugar onde o garotinho estava só encontrei seu pai, ela estava sorrindo e disse-me que não importa onde eu estivesse, o que eu sentisse ou fizesse, ele continuaria me amando, eu quis dizer que também o amava, mas aquele bendito cheiro de terra molhada me trouxe de volta a realidade
– Eu queria conhecer meu pai.
– É só se olhar no espelho, você é igualzinho a ele.

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Culpe a chuva – Alexandra 2

14 de fevereiro de 2011 Deixe um comentário

Alexandra 1 <a

– Bom dia Charlie.
– Bom dia Alexandra, esse já conta como próximo café?
– Se a minha caneca está completa com café e a sua com toddy, sim, conta sim.
– Então conte-me mais sobre suas lembranças.
– Sabe que me sinto muito mais velha do que sou quando você diz lembranças?
– Perdão, não é minha intenção, você nem parece ter 20 sabia?
– Obrigada, me sinto com 17 outra vez.
– Ei, as lembranças.
– Certo, certo. Parei na da bicicleta né?
– Sim.
– Amizade é algo bem complicado de explicar, porém bem fácil de achar, mas a maior dificuldade é achar uma amizade pra confiar, tudo está bem até que se prove o contrario, e um dos piores medos que existe é que te provem o contrario. Começou a chover, mas eu só percebi quando senti aquele cheiro, nossas mãos estavam próximas, nossas vozes estavam caladas, meu peito já estava encharcado de tanta água, meu cabelo começou a grudar no meu rosto, e meu chinelo começara a escorregar do pé. A sensação era de que o planeta poderia começar a terceira guerra mundial que a gente não ia perceber, nada ali importava, só as ultimas palavras deixadas no ar que reinavam nossas mentes “Me cansei desse amor”, são palavras que cortam, dilaceram qualquer sonho com facilidade, como se fosse rasgar papel, depois da chuva parar e só o cheiro do chão encharcado continuar nos acompanhando ela finalmente disse algo, disse que não importava mais, que ao sentir nossa amizade acabar ela também sentiu a pior dor da vida dela até aquele momento, e ela não queria isso, ela disse que estava cansada das pessoas se metendo na nossa amizade e não do nosso amor.
– Que bonito, eu a conheço?
– Sua tia Sophia.

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Culpe a chuva – Alexandra

14 de fevereiro de 2011 1 comentário


– Eu queria que chovesse agora, só pra sentir aquele cheiro único e irreconhecível que começa a emanar do chão após receber várias e várias gotas de água. É um cheiro que trás algumas lembranças velhas, porém ótimas pra fazer um coração ferido voltar a bater com animo pra se apaixonar e se machucar novamente. Se minha memória não está falha, a última vez que esse cheiro adentrou minhas narinas e me fez sorrir eu estava fazendo um lanche e pensando que logo mais veria o meu amor, já tinha planejado exatamente tudo em minha mente pra quando a visse, seria perfeito, pobre de mim, não chegou nem perto de ser um momento bom, regular para não me sentir culpada em relação as outras pessoas que me arrancaram alguns risos e sorrisos, mas as considerações que tenho por elas, elas já conhecem muito bem e me entendem. Próxima lembrança mais recente, estar correndo de bicicleta contra o tempo pra não molhar-me muito, senti meu coração bater, senti que podia ouvi-lo, quando eu desci a última ladeira eu fechei os olhos abri meus braços e sorri, aquela sensação nunca poderá ser tirada de mim, eu já não me importava com a chuva, meu coração batia rápido e eu estava feliz por saber que ele estava vivo.
– Deve ser ótimo.
– E é.
– Qual a próxima lembrança?
– Vou reservar pra um próximo café

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